quarta-feira, 22 de abril de 2020

Eleitores de Trump protestam fortemente armados contra as medidas de isolamento em Michigan (EUA)

Fonte: The Guardian

Armas de grosso calibre , coletes, homens brancos, calças camufladas, coturnos-  quase uma cena  de filme de ação dos anos 80, se não fosse pelo slogan da campanha Trump/Pence, os cartazes dizendo " Viver Livre ou Morrer" e a falta de efeitos especiais.

O protesto ocorreu em Lansing, capital do estado norte-americano do Michigan, na última quarta-feira (15/04)  e dirigia-se contra as medidas de bloqueio e isolamento que sua governadora democrata, Gretchen Whitmer, prorrogou até 30 de abril.

Até o dia, já haviam morrido duas mil pessoas de covid-19 no Estado.  Hoje, dia 22 de abril,  em todos os E.U.A. já morreram mais de 47 mil pessoas, muito mais do que o número de mortos do atentado contra as Torres Gêmeas e que a soma total de soldados norte-americanos mortos e feridos durante a Guerra do Afeganistão.

Apesar disso,   o presidente Donald Trump defendeu tweets em apoio ao protesto, o que  foi criticado por adversários políticos e líderes globais que há tempos denunciam o seu  fraco desempenho frente  à pandemia  do novo covid-19.

Fonte:     



segunda-feira, 20 de abril de 2020

Há um mês o governador Flávio Dino assinava o decreto 35677, que daria início à quarentena no Maranhão.

Há um mês iniciávamos nossa jornada em águas desconhecidas e tempestuosas.Palavras como: pandemia, álcool em gel, máscara, água e sabão, covid-19, coronavírus invadiram violentamente nosso cotidiano e tomaram o futuro de assalto. O suspense dos finais das nossas novelas foram substituídos pelos  índices, números e conceitos oficiais  da pandemia no Brasil -  sem beijo na boca e casamentos (tem que manter o isolamento). Quem sempre olhou para o Estado com desconfiança, como todo bom brasileiro, nunca teve que confiar tanto. E, de fato, não temos mais a quem recorrer.Agora é esperar torcer, rezar e exigir que as pessoas que estão no comando da máquina saibam operá-la, alguns com medo, outros sem nem isso, pois, hoje, sentir  medo da morte é um direito no Brasil.

Enquanto morremos de saudade das festas juninas, sabemos que o que estamos vivendo ficará para a história, só ainda não sabemos como. A política mudará ? A economia mudará? As pessoas mudarão? A natureza já está mudando...Não há quem não se atreva a fazer uma aposta e o contrário também. Tem um ditado antigo que dizia : remédio bom é amargo. E  que assim seja. Só não quero acreditar que isso se tornará  mais um monumento da  soberba e estúpida ignorância humana que empilharemos nos livro de História e sobre o qual as próximas gerações só aprenderão se ensinarem nas escolas, sob o risco de reprovarem e não conseguirem uma vaga na universidade.

E ,claro, haverão aqueles que dirão que foi mentira, como fazem, por ignorância ou perversão, esses que foram para as ruas pedir intervenção militar, fechamento do STF e aplaudir o menestrel dos canalhas.






Políticos e demais autoridades caxienses são vistos em aglomerações nas portas dos bancos de Caxias... Claro que não ( DISTOPIA)

                         Fila para sacar o auxílio emergencial na Caixa Econômica, centro de Caxias (MA)
Fonte: Jotônio Vianna

É... acho que ninguém acreditaria ser verdadeiro o título desse texto,  essa brincadeira é  somente uma forma de expor como as desigualdades da nossa cidade são cúmplices das tragédias que assolam as famílias caxienses menos abastadas. Nosso Estado é uma verdadeira e insensível máquina de moer pobre, e eu não sou o primeiro a falar disso. Na foto acima, amplamente divulgada nas redes sociais, não encontramos nenhum herdeiro de família tradicional caxiense, nenhum vereador, prefeito, vice, deputado, promotor, juiz,  lobista e  demais categorias que compõe o universo do poder da nossa princesinha do sertão. Ninguém com um nome difícil de pronunciar, com dois ou mais diplomas e uma quatro por quatro só para rodar no interior.  A cor nem se fala. Como toda multidão genuinamente brasileira, ela é morena, é preta, parda, indígena e um pouco branca -ou melhor, fogoió. 
E, assim,  Caxias vai tornando-se referência em aglomerações bancárias em contexto de pandemia. E já tem até quem comemore...Deus tenha misericórdia de nossa gente.

domingo, 19 de abril de 2020

"Cada vida encarna a dignidade da pessoa humana, e nenhum destino poderá justificar uma exaltação qualquer de quem quer que seja" Albert Einstein. Ontem fez 65 anos que perdemos o homem que nos ensinou a transformar a massa em energia




No dia 18 de abril de 1955, na manhã de uma segunda-feira ,  Albert Einstein disse suas últimas palavras, em um leito do Hospital de Princenton (EUA). Partia, aos 76 anos, um dos maiores corpos celestes do século XX. Um violinista judeu apaixonado pela música, pela beleza e pela justiça que sofreu todo o antissemitismo de uma Alemanha Nazista em formação,  uma criança rebelde que  ouvia  de seus professores que ele "não seria muita coisa na vida" e que  mudou  a história do mundo. Einstein, além disso tudo, era um homem que defendia a paz entre os povos e a Ciência. E nada melhor do que um ensaio feito por ele mesmo para conhecermos  sua forma de enxergar  o mundo .


COMO VEJO O MUNDO
Albert Einstein


Minha condição humana me fascina. Conheço o limite de minha existência e ignoro por que
estou nesta terra, mas às vezes o pressinto. Pela experiência cotidiana, concreta e intuitiva, eu me
descubro vivo para alguns homens, porque o sorriso e a felicidade deles me condicionam
inteiramente, mas ainda para outros que, por acaso, descobri terem emoções semelhantes às minhas.
E cada dia, milhares de vezes, sinto minha vida — corpo e alma — integralmente tributária do
trabalho dos vivos e dos mortos. Gostaria de dar tanto quanto recebo e não paro de receber. Mas
depois experimento o sentimento satisfeito de minha solidão e quase demonstro má consciência ao
exigir ainda alguma coisa de outrem. Vejo os homens se diferenciarem pelas classes sociais e sei
que nada as justifica a não ser pela violência. Sonho ser acessível e desejável para todos uma vida
simples e natural, de corpo e de espírito.
Recuso-me a crer na liberdade e neste conceito filosófico. Eu não sou livre, e sim às vezes
constrangido por pressões estranhas a mim, outras vezes por convicções íntimas. Ainda jovem,
fiquei impressionado pela máxima de Schopenhauer: “O homem pode, é certo, fazer o que quer,
mas não pode querer o que quer”; e hoje, diante do espetáculo aterrador das injustiças humanas, esta
moral me tranquiliza e me educa. Aprendo a tolerar aquilo que me faz sofrer. Suporto então melhor
meu sentimento de responsabilidade. Ele já não me esmaga e deixo de me levar, a mim ou aos
outros, a sério demais. Vejo então o mundo com bom humor. Não posso me preocupar com o
sentido ou a finalidade de minha existência, nem da dos outros, porque, do ponto de vista
estritamente objetivo, é absurdo. E no entanto, como homem, alguns ideais dirigem minhas ações e
orientam meus juízos. Porque jamais considerei o prazer e a felicidade como um fim em si e deixo
este tipo de satisfação aos indivíduos reduzidos a instintos de grupo.
Em compensação, foram ideais que suscitaram meus esforços e me permitiram viver.
Chamam-se o bem, a beleza, a verdade. Se não me identifico com outras sensibilidades semelhantes
à minha e se não me obstino incansavelmente em perseguir este ideal eternamente inacessível na
arte e na ciência, a vida perde todo o sentido para mim. Ora, a humanidade se apaixona por
finalidades irrisórias que têm por nome a riqueza, a glória, o luxo. Desde moço já as desprezava.
Tenho forte amor pela justiça, pelo compromisso social. Mas com muita dificuldade me
integro com os homens e em suas comunidades. Não lhes sinto a falta porque sou profundamente
um solitário. Sinto-me realmente ligado ao Estado, à pátria, a meus amigos, a minha família no
sentido completo do termo. Mas meu coração experimenta, diante desses laços, curioso sentimento
de estranheza, de afastamento e a idade vem acentuando ainda mais essa distância. Conheço com
lucidez e sem prevenção as fronteiras da comunicação e da harmonia entre mim e os outros homens.
Com isso perdi algo da ingenuidade ou da inocência, mas ganhei minha independência. Já não mais
firmo uma opinião, um hábito ou um julgamento sobre outra pessoa. Testei o homem. É
inconsistente.
A virtude republicana corresponde a meu ideal político. Cada vida encarna a dignidade da
pessoa humana, e nenhum destino poderá justificar uma exaltação qualquer de quem quer que seja.
Ora, o acaso brinca comigo. Porque os homens me testemunham uma incrível e excessiva
admiração e veneração. Não quero e não mereço nada. Imagino qual seja a causa profunda, mas
quimérica, de seu sentimento. Querem compreender as poucas idéias que descobri. Mas a elas
consagrei minha vida, uma vida inteira de esforço ininterrupto.
Fazer, criar, inventar exigem uma unidade de concepção, de direção e de responsabilidade.
Reconheço esta evidência. Os cidadãos executantes, porém, não deverão nunca ser obrigados e
poderão escolher sempre seu chefe.
Ora, bem depressa e inexoravelmente, um sistema autocrático de domínio se instala e o ideal
republicano degenera. A violência fascina os seres moralmente mais fracos. Um tirano vence por
seu gênio, mas seu sucessor será sempre um rematado canalha. Por esta razão, luto sem tréguas e
apaixonadamente contra os sistemas dessa natureza, contra a Itália fascista de hoje e contra a Rússia
soviética de hoje. A atual democracia na Europa naufraga e culpamos por esse naufrágio o
desaparecimento da ideologia republicana. Aí vejo duas causas terrivelmente graves. Os chefes de
governo não encarnam a estabilidade e o modo da votação se revela impessoal. Ora, creio que os
Estados Unidos da América encontraram a solução desse problema. Escolhem um presidente
responsável eleito por quatro anos. Governa efetivamente e afirma de verdade seu compromisso.
Em compensação, o sistema político europeu se preocupa mais com o cidadão, com o enfermo e o
indigente. Nos mecanismos universais, o mecanismo Estado não se impõe como o mais
indispensável. Mas é a pessoa humana, livre, criadora e sensível que modela o belo e exalta o
sublime, ao passo que as massas continuam arrastadas por uma dança infernal de imbecilidade e de
embrutecimento.
A pior das instituições gregárias se intitula exército. Eu o odeio. Se um homem puder sentir
qualquer prazer em desfilar aos sons de música, eu desprezo este homem... Não merece um cérebro
humano, já que a medula espinhal o satisfaz. Deveríamos fazer desaparecer o mais depressa
possível este câncer da civilização. Detesto com todas as forças o heroísmo obrigatório, a violência
gratuita e o nacionalismo débil. A guerra é a coisa mais desprezível que existe. Preferiria deixar-me
assassinar a participar desta ignomínia.
No entanto, creio profundamente na humanidade. Sei que este câncer de há muito deveria ter
sido extirpado. Mas o bom senso dos homens é sistematicamente corrompido. E os culpados são:
escola, imprensa, mundo dos negócios, mundo político.
O mistério da vida me causa a mais forte emoção. É o sentimento que suscita a beleza e a
verdade, cria a arte e a ciência. Se alguém não conhece esta sensação ou não pode mais
experimentar espanto ou surpresa, já é um morto-vivo e seus olhos se cegaram. Aureolada de temor,
é a realidade secreta do mistério que constitui também a religião. Homens reconhecem então algo
de impenetrável a suas inteligências, conhecem porém as manifestações desta ordem suprema e da
Beleza inalterável. Homens se confessam limitados e seu espírito não pode apreender esta
perfeição. E este conhecimento e esta confissão tomam o nome de religião. Deste modo, mas
somente deste modo, soa profundamente religioso, bem como esses homens. Não posso imaginar
um Deus a recompensar e a castigar o objeto de sua criação. Não posso fazer idéia de um ser que
sobreviva à morte do corpo. Se semelhantes idéias germinam em um espírito, para mim é ele um
fraco, medroso e estupidamente egoísta.
Não me canso de contemplar o mistério da eternidade da vida. Tenho uma intuição da
extraordinária construção do ser. Mesmo que o esforço para compreendê-lo fique sempre
desproporcionado, vejo a Razão se manifestar na vida..


sexta-feira, 17 de abril de 2020

ESPERANÇA! Senhora de 92 anos se recupera da covid-19 em Teresina(PI)





O vídeo foi divulgado agora há pouco nas redes sociais da Prefeitura de Teresina . Dona Francisca, de 92 anos de idade, não esconde a emoção e a saudade de casa após dezesseis dias de tratamento.


A morte, a dor e a promessa : uma crônica para o Dia de Finados

"Tudo o que a gente leva da vida é a lembrança"- concluía dona Teresinha mostrando-me as fotos antigas dos festejos da  Capelinha ...